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Quando aquela delícia gordurosa é consumida no piloto automático

“Impossível comer uma só” (como dizia o antigo comercial de batatas chips) é, claro, uma constatação que todos nós acabamos concordando. Mas por que? É simplesmente a falta de força de vontade que faz as guloseimas gordurosas irresistíveis, ou existem forças biológicas mais fundas trabalhando?

Uma nova pesquisa intrigantes sugere a segunda opção. Cientistas na Califórnia e Itália publicaram, semana passada, que ratos alimentados com comidas gordurosas, o corpo começa a liberar, imediatamente, substâncias do tipo da cocaína que faz com que eles fiquem querendo por mais.

A descoberta está entre diversos outros estudos que adicionam nova complexidade ao debate sobre obesidade, sugerindo que alguns alimentos ativem poderosas reações químicas no corpo e no cérebro. Sim, ainda é verdade que as pessoas ganham peso porque comem mais calorias do que queimam. Mas essas compulsões podem decorrer de sistemas biológicos sob os quais a pessoa não tem controle.

“Eu realmente acho que algumas pessoas que vêm ao mundo são mais sensíveis aos alimentos,” diz Susan Carnell, uma pesquisadora associada no Instituto da Nutrição Humana da Universidade de Columbia. “Eu acho que existem muitas rotas diferentes para a obesidade.”

Nos estudos em ratos recentes, por um time da Universidade de Califórnia, Irvine, e no Instituto de Tecnologia Italiano em Genoa, o objetivo era de medir como o gosto, sozinho, afeta a resposta do corpo à comida. Entre os ratos que receberam dietas líquidas com alto teor de gordura, açúcar ou proteínas, os que receberam líquidos gorduroso tiveram uma reação impressionante: assim que atinge as papilas gustativas, o sistema digestivo começou a produzir endocanabinóides, substâncias químicas similares às produzidas pelo consumo da cocaína

Os compostos servem para uma variedade de funções, incluindo regular o humor, e resposta ao stress, apetite e movimento da comida através do intestino. Notavelmente, elas foram liberadas apenas quando os ratos provaram gordura, sem resposta ao açúcar ou proteína.

“O mais surpreendente para a maioria das pessoas, incluindo eu,” diz uma autora do estudo, Daniele Piomellu, diretora do setor de desenvolvimento e descoberta de drogas na Universidade de Columbia, “é que as descobertas abrem uma janela sobre como nos relacionamos com alimentos gordurosos.”

Como as gorduras são essenciais para o funcionamento das células, Dr. Piomelli concluiu, “nós temos esse meio evolucionário de reconhecer a gordura, e assim que temos acesso, consumir o máximo possível.”

A descoberta que o sinal para comer mais gordura é liberado a partir do intestino oferece novas esperanças para novos medicamentos para dieta. Um comitê da FDA (Food and Drug Administration nos EUA) já rejeitou um medicamento para dieta que bloqueia os endocanabinóides, chamado de Acomplia na Europa, o qual foi logo retirado devido à severos efeitos colaterais psicológicos, incluindo tendências suicidas. A nova pesquisa sugere que o foco pode ser transferido para os endocanabinóides no intestino, o qual poderia aliviar os efeitos colaterais  no cérebro.

Nos estudos com ratos, os pesquisadores injetaram bloqueadores de canabinóides no intestino dos ratos e descobriram que eles perderam interesse em alimentos gordurosos. “O efeito foi impressionante,” Dr. Piomelli disse. “Eles não estão mais interessados em se alimentarem. Eles pararam completamente. Ficamos impressionados.”

A criação de um medicamento baseado na pesquisa ainda está a anos de distância, mas a descoberta oferece aconselhamento a consumidores sobre as forças biológicas poderosas em jogo quando eles comem alimentos gordurosos.

“Nós achamos que comemos porque gostamos, mas não é só porque gostamos, mas porque queremos,” diz Dr. David Kessler, ex diretor da FDA e autor do livro “O fim da super-alimentação” (Rodale, 2009). “Tem muito mais a ver com nosso cérebro e com os mecanismos de resposta para o nosso cérebro do que imaginamos.”

Outros estudos demonstraram que a parte do cérebro da recompensas é fortemente afetada pela comida que comemos.

Por exemplo, quando imagens de alimentos altamente calóricos para mulheres obesas, o cérebro mostra atividade maior na região do cérebro da recompensa em comparação a mulheres com peso normal. “Os centros de recompensa foram ativados apenas pronunciando as palavras “brownie de chocolate,” disse Dra. Carnell de Columbia.

A questão é se algumas pessoas nascem mais sensíveis a certos alimentos, ou se o consumo excessivo de alimentos faz com que o cérebro e o corpo mudem fazendo que tenham uma resposta mais intensa aos alimentos. Para lançar uma luz sobre esse assunto, Dra. Carnell está conduzindo estudos em adolescentes com peso normal que têm pais obesos, e, por isso, correndo o risco de serem obesos. “Eu estou interessada se o cérebro vai responder diferentemente, mesmo antes delas se tornarem obesas,” diz ela.

Dr. Kessler ressalta que os consumidores precisam estar cientes que os sinais naturais do corpo são geralmente sobrecarregados pela abundância de escolhas e mensagens sobre comida, então eles precisam ser mais cuidadosos para uma alimentação saudável.

“O impacto é muito forte, e existe uma razão biológica do porquê que os alimentos tem esse poder sobre nós,” diz ele. “É uma luta de verdade, e não é só uma questão de ser preguiçoso ou falta de força de vontade.”

“Mas não é porque seu cérebro está sendo violado que você não tem responsabilidade de se proteger.”






Fonte: NY Times

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