Curiosidades

[Curiosidades] 10 Fatos que parecem verdade… Mas não são

Já se deparou com alguém que te diz algo surpreendentemente interessante e que, ao mesmo tempo, parece bem real e palpável? Hoje eu trago 10 fatos desses que, inicialmente, parecem verdade mas, após uma análise, trata-se de uma lenda urbana.

O fluxo de água nas descargas gira em sentidos diferentes nos hemisférios Norte e Sul

Errado – e suspeito que aquele clássico episódio dos Simpsons (em que a família vai à Austrália) ajudou a perpetuar este mito.

O efeito Coriolis (ou seja, o aparente movimento circular tal como visto por um ponto referencial inerte num objeto em giro) realmente explica por que a água, quando em repouso, tende a ser afetada de forma diferente graças a sua localização no planeta. Acontece que a força é extremamente fraca, e há um fator muito mais decisivo pro giro da descarga que esse efeito Coriolis: o ângulo em que a água é injetada no sanitário.

Se o Pólo Norte derretesse, o nível do mar subiria tanto que cidades litorâneas seriam obliteradas

Esta é clássica. A teoria já existia há muito tempo, mas foi a cena de abertura de Waterworld (o icônico logotipo da Universal sendo coberto de água à medida que o Círculo Ártico derretia) que levou a idéia às massas. E Al Gore, num arroubo de joselitice científica que quase remove todos os méritos do documentário, perpetuou a noção com o seu An Inconvenient Truth.

 Acontece que esse cenário é uma balela. Ele não é apenas exagerado, é absolutamente falso. Se o Pólo Norte derretesse, o nível das águas oceânicas não subiria um milímetro sequer. Isso se dá graças ao princípio de Arquimedes. O Pólo Norte é essencialmente um grande bloco de gelo flutuante; corpos flutuantes deslocam água equivalente a sua massa. O derretimento do bloco de gelo não acrescentará massa adicional aos oceanos e por isso não provocará elevação do nível dos mares.

Não acredita em mim? Coloque um ou mais cubos de gelos num copo d’água. Observe que o nível sobe assim que o gelo toca o líquido. Marque a altura do nível da água, e cheque novamente quando o gelo houver derretido. Não há mudança alguma.

O derretimento de gelo não-flutuante, tal como geleiras ou a Antártica, poderia elevar o nível do mar – mas não na escala apocalíptica que se acredita. O Pólo Norte não afeta este nível, quer congelado ou derretido.

Deve-se esperar alguns segundos antes de abrir a porta do microondas pra evitar radiação

Se isso fosse verdade (ou seja, se uma ação tão trivial resultasse em perigosa exposição a radiação), o microondas seria o aparato doméstico menos seguro na história da humanidade. Eu imagino que esta crença nasceu da confusão entre radiação nuclear e radiação eletromagnética.

Radiação nuclear é o tipo de energia emanada de núcleos instáveis de substâncias radiativas; exposição a esse tipo de radiação, mesmo por períodos curtos, é realmente perigoso. Radiação eletromagnética, por outro lado, está ao seu redor o tempo todo – celulares, TVs, routers wifi, rádios, lâmpadas, praticamente qualquer coisa que você ligue na tomada emite algum nível de radiação eletromagnética.

Em primeiro lugar, todos os microondas são fabricados com um “killswitch” que desliga o magnetrômetro imediatamente assim que você abre a porta. Como as ondas eletromagnéticas viajam na velocidade da luz, elas não ficam rodopiando infinitamente, como uma nuvem invisível de radiação, esperando sua mão incauta remover a pizza do prato giratório. Antes mesmo da porta abrir, todas as ondas foram absorvidas pela comida ou pelo escudo do interior da máquina.

E em segundo lugar, exposição a radiação não causa efeitos nocivos imediatamente, ela precisa ser mantida por algum tempo. A exposição resultante a abrir a porta de um microondas imediatamente seria na ordem de uma fração de um segundo.

Lúcifer é o nome bíblico do diabo

Errado. Pra começar, “Lúcifer” jamais apareceu nos pergaminhos originais que o Concílio de Nicéia transformou na bíblia atual; a palavra apareceu pela primeira vez na Vulgata, a bíblia em língua latina. Lúcifer é a tradução em latim pro termo que significa simplesmente “o que trás a luz”. Esse termo é usado apenas duas vezes na bíblia – pra descrever o rei da Babilônia, e – PASMEM! – se referindo a Jesus, no livro de II Pedro.

Yep, isso mesmo – Pedro usou o termo “Lúcifer” pra se referir a Jesus. Aposto que seus amigos evangélicos não sabiam disso.

(O texto, caso estejam curiosos, é II Pedro 1:19)

O nome se tornou associado à figura do inimigo divino graças a interpretação católica de que o texto em Isaías 14 (o profeta se dirigia ao rei babilônico, alertando-o que sua soberba e aspiração por suposta divindade o faria pagar muito caro em breve) era uma alegoria sobre um anjo que se rebelou contra Deus e caiu do céu.

Entretanto, a tal história do anjo revoltado não aparece em lugar ALGUM na bíblia. O texto se referia claramente ao tal rei. Chocante, né?

O fato de que o termo foi utilizado na bíblia apenas pra se referir a um rei e, mais tarde, a Jesus, leva muitos teólogos a acreditar que a figura do diabo tal qual conhecemos foi criada pela Igreja Católica pra tornar seu credo mais similar a outras religiões, em que o foco não é na salvação humana, e sim na eterna luta do bem contra o mal.

De repente o Padre Quevedo (e sua icônica insistência na não-existência de Satanás) não parece mais tão estranho.

As outras aparições do diabo na bíblia são igualmente vagas. A serpente do Éden nunca é identificada como Satanás, apenas como uma serpente com pernas. O mesmo vale pro personagem que debateu com Deus a respeito da virtude de Jó. O termo usado no texto original pra descrever o sujeito foi “andarilho”.

A mitologia judaica que forma o Antigo Testamento, por mais que os cristãos tentem negar, mostra indícios de influência de outras fés politeístas. No Gênesis, por exemplo, Deus diz “criemos o homem à NOSSA imagem e semelhança”. Como assim, “nossa”?

Cristãos tentarão te confundir dizendo que Deus estava conversando consigo mesmo, ou com Jesus. Acontece que o termo usado no original foi Elohim, que dá a idéia de um panteão de várias divindades. Isso pra não mencionar que Gênesis foi escrito por Moisés, um judeu, e ele obviamente não acreditava na figura de Jesus.

E pra cimentar ainda mais essa noção, o primeiro – e presumivelmente mais importante mandamento – dá ainda mais indícios disso. Nele, Jeová instrui os israelitas a não adorarem “outros deuses”. Mas como assim, outros deuses? Ele não é o único que existe…?

Ou seja – é bem provável que os autores dos mitos cristãos acreditavam em várias divindades. As várias figuras perversas que aparecem ao longo da bíblia seriam múltiplos deuses maléficos, o que explica por que eles eram referidos por nomes diferentes.

Evolução é um processo aleatório, e é apenas uma teoria

Você já deve ter ouvido esta aqui milhares de vezes, caso tenha se dado ao trabalho de explicar a ciência por trás do trabalho de Charles Darwin pra lunáticos religiosos.

Em primeiro lugar, evolução não é um processo aleatório. Alguns fatores do mecanismo evolutivo (tal como mutações espontâneas) são aleatórios, mas daí concluir que todo o sistema é aleatório é como observar um pneu, concluir que este é circular, e declarar que carros são igualmente circulares.

Mutações aleatórias benéficas ao organismo são filtradas por meio de ontogenia e seleção natural, que não são de forma alguma processos aleatórios. A afirmação de que evolução é um processo aleatório (e portanto menos acreditável que a idéia de um Papai do Céu invisível) é geralmente feita por pessoas que jamais a estudaram. Evolução não é aleatória; nenhum proponente dela jamais sugeriu isso.

A estratégia de desmerecer a teoria da evolução chamando atenção ao fato de que ela se define como uma “teoria” mostra ainda mais ignorância em relação ao contexto científico.

O termo “Teoria”, embora interpretado por religiosos como “fato não comprovado”, significa no meio metodológico uma série de princípios que, por dedução lógica, descreve e prediz fenômenos naturais. Evolução é FATO, e a teoria da evolução descreve os mecanismos internos do fenômeno.

“Teoria” não significa que há discussões no meio científico em relação a sua credibilidade, outra falácia constante dos proponentes do Design Inteligente. A teoria da evolução é tão aceita científicamente quanto a teoria gravitacional ou a teoria relativística.

Não existem explicações alternativas pra nenhum desses fenômenos; as escolas de pensamento atuais descrevem e prevêm perfeitamente tais fenômenos.

O Saara é o maior deserto do mundo

O deserto do Saara é o maior deserto QUENTE do mundo. Na verdade, a maior região árida da superfície terrestre é a Antártica. Há menos precipitação que a região saariana, não há nenhuma água em estado líquido, não há plantas de qualquer espécie, e a presença de vida no continente só não é completamente nula graças às estações científicas operadas por seres humanos.

Até Einstein acreditava em Deus

Einstein, coitado, é o cientista mais frequentemente citado fora de contexto do século. Einstein era um feroz oponente da emergente idéia de caos e incerteza no nível quântico; ele acreditava que a ciência deveria ser capaz de prever com precisão os processos e interações das partículas. De sua frustração neste assunto veio a célebre “Deus não joga dados”.

Entretanto, era apenas uma figura de expressão. Einstein, criado judeu, era na verdade um teísta racionalista – ele acreditava no “Deus de Spinoza”, como ele mesmo disse em resposta à má interpretação da clássica expressão dele. Ou seja, ele via Deus como uma força invisível por trás dos fenômenos físicos universais, e não acreditava em céu/inferno/diabo.

Era uma maneira essencialmente filosófica de admirar a precisão e o poder das leis físicas. Einstein não era um cristão.

Adão e Eva comeram a maçã proibida e foram banidos do Paraíso

Curiosamente, o texto original jamais faz menção de maçã, ou de nenhuma outra fruta em particular. A expressão lida no Gênesis é “o fruto da árvore”. Postula-se que o tal fruto poderia ser até mesmo um abacaxi, ou não ser nenhuma fruta existente atualmente. Até mesmo entre os cristãos, há grupos que declaram que a história inteira é uma alegoria, e não fato literal.

A imagem do fruto como uma maçã começou a ser produzida em afrescos e pinturas do século XVII, e a idéia ficou.

Quick fact, já que estamos no assunto de interpretação bíblica – apesar do fato de que a direita cristã americana se opõe à prática do aborto por causa de noções religiosas, a bíblia (mais especificamente, o livro de Levítico) declara que matar um feto é um crime de propriedade, e não homicídio. A punição não era mais severa do que aquela dada a alguém que acidentalmente matou o cavalo ou a cabra de outrem. Claramente, um feto não era visto nos tempos bíblicos como um ser humano.

Noé colocou em sua arca um par de cada animal

Outra má concepção que teve origem na interpretação literal de obras artísticas ilustrando contos bíblicos.

Na verdade, a bíblia afirma Jeová ordenou que Noé salvasse sete pares de animais “puros”, e dois pares de animais “impuros”. Essencialmente, animais “puros” eram aqueles que os judeus podiam comer. Ou seja, catorze vacas/ovelhas/galinhas, quatro cavalos/porcos/escorpiões

Se a história da arca de Noé já era altamente fantasiosa quando esperavam que acreditássemos num barco grande o bastante pra conter “apenas” um casal de cada animal no planeta, imagina então agora.

Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente

Nope. A primeira lâmpada incandescente foi criada em 1802, por Humphry Davis. Oitenta anos depois, Thomas Edison viria a melhorar a combinação gasosa dentro da lâmpada, e desenvolver um filamento incandescente mais durável. As melhorias de Edison tornaram a lâmpada mais durável e economicamente viável.

Como as lâmpadas incandescentes só se popularizaram após a pesquisa de Edison, convencionou-se erroneamente a dizer que ele inventou o negócio.

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