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[Especial]Alimentos Transgênicos. Solução? (Parte 4)

Os Dois Lados da Moeda

Os alimentos transgênicos tem sido motivo de discussão por anos, e ainda vai ser por mais muitos anos. Essa discussão política e econômica considera muitos aspectos diferentes mas, nem sempre, o mais importante, a opinião e saúde da população. Existem setores que apoiam e setores que desaprovam o cultivo, por isso é importante ressaltar a visão dos dois lados.

Argumentos de Quem é a Favor

A opinião positiva vai sempre mencionar o que pode ser feito com a modificação genética, como:

  • Aumentar a produção de alimentos;
  • Aumentar o valor nutricional de alimentos;
  • Acabar com problemas relativos à desnutrição;
  • Baratear o custo de produção, produzindo organismos mais resistentes;
  • Diminuição do uso de agrodefensivos, água e maquinário, reduzindo a agressão ao meio-ambiente;
  • Organismos com tolerância a pressão biótica e abiótica;
  • Possibilidade de utilizar terras “improdutivas”, com alto teor de sal, ou poucos nutrientes.

Pensando nos somente nos benefícios, os alimentos transgênicos tem muito a somar.  Outra colocação de quem é a favor é a da pesquisadora Alda Lerayer: “Os transgênicos nada mais são do que a evolução de técnicas milenares”. Ela diz isso em referência à técnica de cruzamento de plantas.

Argumentos de Quem é Contra

A lista dos opositores aos transgênicos é, basicamente, composta de ambientalistas e conservadores, porém existem muitos aspectos que eles criticam que valem o estudo. O ponto de apoio deles é sempre a respeito dos impactos à saúde e ao meio ambiente, como detalhado a seguir.

Impactos na Saúde e Segurança

As informações a respeito dos impactos a saúde tem sido muito contraditórias. Até hoje já foram produzidos mais de 30 milhões de hectares de alimentos transgênicos sem nenhuma constatação de impactos à saúde. No entanto, foram levantados muitos aspectos preocupantes a respeito dos alimentos transgênicos desde 1970 quando começaram as pesquisas, entre eles: aumento de potencial de reações alérgicas, introdução ou aumento de compostos tóxicos e o uso de compostos resistentes a antibióticos como marcadores no processo de transformação.

Existem alguns casos interessantes:

Em 1998, o investigador Árpád Puztai e sua equipe causaram o pânico na Europa ao afirmar que tinha resultados que demonstravam um efeito assustador na batata transgênica, quando utilizada na alimentação de ratos. Quando os resultados foram publicados, foi possível verificar que o efeito constatado se devia ao transgene inserido na batata ser de uma lectina, que, por si só, já possui efeito tóxico no desenvolvimento de mamíferos. Os pesquisadores sofreram duras críticas da comunidade científica, no entanto, ainda existem controvérsias quanto à interpretação dos resultados.

Outro caso é um estudo sobre o potencial efeito de alimentos transgênicos à saúde foi publicado por Séralini et al. Esses pesquisadores reavaliaram estatísticamente dados publicados pela Monsanto e declararam que a alimentação de ratos com o milho transgênico MON863 provocou toxicidade hepática e renal, bem como alterações no crescimento. A European Food Safety Authority (Autoridade Européia para a Segurança Alimentar), que tinha aprovado o MON863 para consumo, concluiu que as diferenças encontradas no estudo não eram biologicamente relevantes e que os métodos estatísticos aplicados eram incorretos. Entretanto, até a data, nenhum estudo científico foi publicado que tenha colocado em causa o estudo de Séralini.

Devem se tomar todas as medidas para que seja evitada a introdução de alergênios em plantas. Informações a respeito de alergênios em potencial e toxinas naturais de plantas deveriam estar disponíveis para os pesquisadores, indústrias, órgãos de regulamentação e o público em geral.

Pesquisadores tem utilizado genes resistentes a antibióticos como marcadores seletivos para o processo de modificação genética. A preocupação a cerca disso aumentou com a disseminação da informação de que esse gene em plantas poderia aumentar a resistência a antibióticos de algumas patogenias humanas. A canamicina, por exemplo, um dos antibióticos mais usados como marcador em plantas também é usado para o tratamento das seguintes infecções: Ossos, trato respiratório, pele, tecido mole, infecções abdominais e infecções do trato urinário complexas.

Os cientistas possuem o método para remover esses marcadores antes da planta ser desenvolvida para uso comercial. Os desenvolvedores devem continuar a avançar rapidamente em direção à remoção desses marcadores das plantas transgênicas e começar a utilizar marcadores alternativos para a seleção de novas variedades.

Por fim, nenhuma evidência científica,  por mais plausível que seja, de instituições regulatórias ou cientistas vai influenciar a opinião pública, a não ser que exista uma confiança pública nas instituições e nos mecanismos que regulam tais produtos.

Impactos Ambientais

A agricultura moderna é intrinsicamente destruidora do meio ambiente. Principalmente da diversidade biológica, notadamente quando praticada de um modo muito ineficiente de utilização de materiais, ou quando são aplicadas tecnologias que não são adaptadas às características ambientais (solo, relevo e clima) de uma área em particular. Isso é verdade tanto em larga escala quando pequena escala. A ampla aplicação de tecnologias convencionais de agricultura, tais como herbicidas, pesticidas, fertilizantes e cultivo resultaram em um dano ambiental severo em várias partes do mundo. Portanto os riscos ambientais da modificação genética precisam ser considerados, levando em conta os riscos de continuar utilizando as tecnologias convencionais.

A maioria das principais preocupações a respeito da modificação genética derivam da possibilidade do gene fluir para parentes próximos da planta modificada, possíveis efeitos indesejáveis do gene exótico (como resistência a insetos ou tolerância a herbicidas) e os possíveis efeitos em organismos não-alvo do gene.

Outros fatores importantes que devem ser levados em consideração para o desenvolvimento de alimentos genéticamente modificados são:

  • A resistência da planta transgênica a uma peste ou doença em particular facilita o surgimento de novas pestes e doenças resistentes, esse problema é pior do que com a alternativa tradicional?
  • Se características (tal como tolerância a sal, resistência a doenças, etc) são transferidas para variedades selvagens, se existe uma expansão dessas espécies que possa causar uma supressão da biodiversidade ao redor da área?
  • A utilização generalizada de plantas resistentes a desgaste promovem um aumento considerável no uso de terra onde a agricultura tradicional não poderia ser praticada de forma a destruir ecossistemas naturais valiosos?

Historicamente, tanto a pobreza quando as mudanças estruturais nas áreas rurais resultaram em deteriorações ambientais severas. A adoção de biotecnologia moderna não deve acelerar essa deterioração. Ela deveria ser utilizada de forma a reduzir a pobreza e essa deterioração no meio ambiente.

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